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MEI vai poder faturar mais. Mas em 2026 o teto ainda é R$ 81 mil.

A mudança já foi anunciada, mas chega em etapas: R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Para quem está perto do limite hoje, confundir as datas pode sair caro.

Redação Danski31 de agosto de 20266 min de leitura
Comércio de rua em Coronel Fabriciano, Minas Gerais
Comércio em Coronel Fabriciano (MG). Foto: HVL/Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

O teto do Microempreendedor Individual finalmente vai subir. Só que existe uma pegadinha de calendário: o novo valor não transforma automaticamente 2026 em um ano de R$ 110 mil. Até 31 de dezembro, o limite geral continua em R$ 81 mil.

A atualização divulgada pelo Ministério do Empreendedorismo prevê duas etapas automáticas. Em 2027, o teto anual passa a R$ 110 mil. Em 2028, chega a R$ 140 mil. A mudança dá mais espaço para pequenos negócios crescerem sem precisar abandonar o regime tão cedo, mas exige atenção justamente durante a transição.

O erro seria antecipar 2027

Imagine um MEI que chegue a R$ 85 mil de receita em dezembro de 2026. O fato de o limite do ano seguinte ser R$ 110 mil não apaga o excesso deste ano. A regra aplicável ao faturamento de 2026 continua sendo a atual.

Hoje, quem ultrapassa R$ 81 mil em até 20% — portanto, até R$ 97.200 — entra numa transição menos severa: informa o faturamento na declaração, recolhe o complemento calculado sobre o excedente e passa à condição de microempresa no ano seguinte. Acima de 20%, o efeito pode ser retroativo ao início do ano, com recolhimentos como microempresa.

Uma regra futura não aumenta o limite do ano corrente. Para faturamento, a data da receita importa.

E quem abriu o MEI no meio do ano?

O limite não é automaticamente o teto cheio. Ele é proporcional aos meses de atividade, contando a fração de mês como mês inteiro. Em 2026, a referência mensal do teto geral é R$ 6.750.

A partir de 2027, com o limite de R$ 110 mil, a referência passa a aproximadamente R$ 9.166 por mês. O próprio governo dá o exemplo de uma abertura em julho de 2027: seis meses de atividade resultam em teto de R$ 55 mil naquele ano.

Se você está perto do teto em 2026

Acompanhe receita acumulada, não saldo bancário

  • Some o faturamento bruto: o limite olha para a receita da atividade, não para o lucro que sobrou.
  • Separe por ano-calendário: o teto maior começa em 2027.
  • Observe o limite proporcional: quem abriu durante o ano não dispõe necessariamente dos R$ 81 mil completos.
  • Antecipe a transição: se o excesso parece inevitável, organizar a migração com contabilidade tende a ser melhor do que descobrir obrigações retroativas depois.

O DAS não sobe só porque o teto subiu

O Ministério do Empreendedorismo esclarece que elevar o limite de faturamento não aumenta, por si só, o valor mensal do DAS-MEI. A contribuição continua ligada ao salário mínimo vigente e aos adicionais de ICMS e/ou ISS conforme a atividade.

Em 2026, a contribuição do MEI geral parte de R$ 81,05 de INSS e chega a R$ 82,05 para comércio ou indústria, R$ 86,05 para serviços e R$ 87,05 para quem recolhe ICMS e ISS. Esses valores podem mudar com o salário mínimo de cada ano, independentemente do novo teto.

Crescer deixa de ser um susto — mas continua exigindo conta

O novo teto reduz um degrau que há anos apertava negócios em expansão. Ainda assim, R$ 110 mil ou R$ 140 mil de faturamento não significam o mesmo valor de renda para o empreendedor: custos, estoque, aluguel, taxas e impostos continuam existindo.

A melhor leitura da mudança é menos “agora posso gastar mais” e mais “agora tenho uma faixa maior para crescer dentro do regime”. Para 2026, porém, a régua antiga continua na mesa. Quem está perto dela precisa fazer as contas com o calendário aberto.